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ana nitzan - sublimação
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katia fiera - katia fiera
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marcos vilas boas - meio-dia
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marlene stamm - silêncio
Mosaico
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patricia bigarelli - silêncio
renata cruz - classificação das espécies
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victor lema riqué - el bosque II
yara dewachter-quase verdades
yolima reyes - sorbitos
kika nicolela - exquisite corpse video project
de 11/8/2009 à 22/8/2009.
Blind date digital
por Juliana Monachesi

O Exquisite Corpse Video Project parte de uma prática dadaísta de criação a partir de processos aleatórios e caóticos. Cada artista responde aos dez segundos de filme enviados pelo artista anterior na cadeia de produção de cada vídeo com mais um minuto, dos quais envia os 10 segundos finais ao artista seguinte. O resultado são filmes que nunca passam de dez minutos. A potência de um filme feito a 20 mãos ultrapassa a voga corrente das práticas coletivas em artes visuais. Vale lembrar que os artistas envolvidos no projeto têm, cada um, sua carreira ?solo?, com participações em importantes festivais internacionais. A empreitada do ECVP, mais do que o surgimento de um novo ?coletivo?, é marcada por uma aposta nas possibilidades de compartilhamento e criação das redes sociais descentralizadas que se alastram pela www. E serve como resposta estética ao turbilhão de conteúdo audiovisual despejado na mesma www, mostrando que há vida inteligente nos canais do YouTube.

Eu já li críticos que admiro muito partindo, por exemplo, da imagem de uma criança brincando ao redor de uma obra minimalista para iniciar sua densa análise sobre a gramática visual e sensorial deste não-movimento de arte. Quando o assunto é novo, ele exige um vocabulário novo. E Leo Steinberg já nos ensinou que a arte, seja ela moderna ou antiga, requer insistentemente novos critérios de análise. Dos critérios do formalismo e de arranjo do espaço, passando por critérios de conteúdo intercambiável ?conforme o tempo em que uma obra de arte é feita, lida e relida? a critérios biográficos e outros que ficam entre a normatividade e a idiossincrasia, entre o apelo genérico e o particular, entre contexto social e singularidade, Steinberg frisa a importância de estabelecer como ponto de partida interpretativo o foco nas provocações de uma nova arte para investigar de forma desarmada suas intenções. ?Uma sucessão de outros critérios e nenhum obsoleto?, escreve o crítico nova-iorquino na introdução a uma reedição recente de seu famoso ensaio ?Other Criteria?. (1972)

Frente a uma nova provocação artística, cabe ao crítico deixar de lado seus critérios para melhor entender as intenções da obra que tem diante de si. Desse partido, apreendo não apenas que a conexão maior entre os fragmentos produzidos às escuras pelos artistas do projeto está na colagem aleatória de ruídos, músicas, sons diretos e trilhas sonoras, uma verdadeira colisão de referências e preferências que faz de cada filme um antídoto à monotonia audiovisual, mas concluo também que este grupo retrata a cultura digital em que vivemos mergulhados, uma cultura já não mais fragmentada como a cultura pós-moderna, mas estilhaçada e precária no que diz respeito à criação de sentido. O Exquisite Corpse Video Project nos apresenta esse novo mundo, mimetizando o estilhaçamento e a precariedade que lhe são intrínsecos, mas conseguem gerar novos significados para a experiência contemporânea.