O Conceito

Novidades

Biografias e Obras

O Escritório


5 + 5
akira umeda - yurei
alzira fragoso - encarnado
ana kesselring - corps du monde (corpos do mundo)
ana michaelis - ilusão
ana nitzan - ...foi num dia, no jardim
ana nitzan - sublimação
ana paula lobo -"e se houvesse ainda e sempre e somente palavras"
antonio sobral - arrebentação
antonio sobral - força latente
antonio sobral - perestroika
carlos emilio - cintilações
catherine ferraz - catherine, la tête dans les nuages
cecilia dequech - solitude
cristiane mohallem - canção da estrada
cristiane mohallem - céus são céus
cristiane mohallem - entre mãos: pinturas
daniella liu herzog - transpaisagens
dconcept hospeda Aluga-se
dione veiga - solutilis
edu rodrigues - geografia
edu rodrigues - válvulas
estrela do pari futebol clube
felipe o. mello - majesty
felipe oliveira mello - herdeiros
flavia vivacqua - flavia vivacqua
gabriel nehemy - azul, cinza, rosa
juliana garcia - avulsos em série
katia fiera - e quem quiser que conte outra...
katia fiera - katia fiera
kika nicolela - exquisite corpse video project
lucas lenci - aifonepics
luiz sôlha - cineramas
marcos vilas boas - cenários
marcos vilas boas - horizontes retos
marcos vilas boas - meio-dia
marcos vilas boas - na altura dos olhos
marina ayra - bruma espuma ao amanhecer-
marlene stamm - da aurora ao crepúsculo
marlene stamm - silêncio
Mosaico
néle azevedo - o que pode um corpo?
nicole mouracade-nin - cadernos de zizi
no limite da linha - coletiva de desenho
patricia bigarelli - silêncio
renata cruz - classificação das espécies
rosângela dorazio - pelas paredes
rosilene fontes - uma historia da infância
teresa berlinck - biblioteca ilustrada, sábado e domingo
vera martins - por um fio...ETERNIZADO
vicente de mello - noite americana - interiores
victor lema riqué - el bosque II
yara dewachter-quase verdades
yolima reyes - sorbitos
yolima reyes - sorbitos
de 26/11/2008 à 31/12/2008.
“estaba en mi taller anoche dibujando cuando escuché la explosión. Es una lástima los graves problemas de nuestro país y la difícil situación de nuestra Cali que ya va para largo tiempo. Lo peor es ese sentimiento de que el extraño azar de la vida te puede poner justo en medio de una situación violenta en un día cualquiera. Ahora seguirán esos días de calma tensa donde se escuchan versiones, historias y se saben cosas a medias.
Toca seguir trabajando haciendo dibujos o dibujitos, habitando de la mejor manera posible el tiempo que llamamos vida.”
Cesar Garcia, Cali, 1 de Setembro, 2008.

Este texto é extraído de uma resposta a um e-mail em que comento o atentado à bomba que matou quatro pessoas naquela noite, em Cali, cidade colombiana conhecida por sua intensa musicalidade. Em palavras simples e sinceras, o artista Cesar Garcia ou Coco, como é conhecido, e que vive e trabalha em Cali, exprime de forma contundente o mal que nos abate na atualidade. A violência contra a vida como moeda fácil e barata na luta por poder, por interesses econômicos e outros que não cabe enumerar, tanto nas cidades colombianas como nas brasileiras. Parece ser esta uma situação que nos aproxima do país vizinho.

São crianças, mulheres e homens abandonados à própria sorte nas ruas das cidades com o preconceito e a indiferença dos privilegiados materialmente na sociedade contemporânea, que acreditam conseguir "proteger-se" de dentro de muros altos ou escondidos por trás de vidros escurecidos em seus carros blindados, destas mazelas sociais. Uma crise que vivemos fruto de uma economia e política sociais distantes das utópias humanistas há muito perdidas. O que predomina é uma ansiedade ou uma ganância pelas coisas materiaiss. O que rege a sociedade é uma lógica perversa. A dos incluídos e os excluidos ou a dos ajustados e dos desajustados no sistema capistalista.

Yolima Reyes, artista como Coco que conheci na cidade de Santiago de Cali, com seu olhar sensível registra da janela de um ónibus que percorre as ruas de sua cidade o que vê em pequenas pinturas. Imagens que nos apresentam o dia-a-dia de uma população marcada por esta violência crua e inexplicável, vivenciadas nas ruas das grandes cidades daqui e de lá. A série “Sorbitos”, 2007, são pequenos desenhos de apenas 9 por 4 centímetros que Yolima nos fala de uma realidade que de tão dura, deveria ser “bebida” depois de liquidificada, em pequenas doses para se tornar “digerível”.

Os desenhos ou as pinturas são delicados, de simples resolução, nada mais que pequenas janelas do mundo físico e real. Arquivo ou narração do cotidiano. São figuras espectrais, quase sombras humanas vistas de dentro destas cidades. Funcionam como frames de um filme trágico já por demais conhecido. As cores que compõem o fundo para estes seres “vestidos” de negro, são vibrantes, predominam os amarelos originários do fogo, da tragédia anunciada e os azuis que nos levam para o infinito.

Em “Juegos de Niños”, de 2007, acrílico sobre lona, também de pequenas dimensões, a artista retrata com a mesma dramaticidade as brincadeiras e os jogos de rua de crianças. O mundo que se vê de fundo nestas pinturinhas ainda é o mesmo, regido pelo improviso igual ao de uma música como o jazz.

É um mundo fragmentado quadro a quadro, o descrito por Yolima, em que “La realidad, hay que licuarla, preparar una bebida y tomarsela en Sorbitos, porque es demaciada pesada” ou como disse Coco, o outro artista caleño, aqui citado “toca seguir trabajando haciendo dibujos o dibujitos, habitando de la mejor manera posible el tiempo que llamamos vida”, diante do sentimento de impotência que muitas vezes nos abate diante da realidade.

Ricardo Resende, crítico de arte.