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vicente de mello - noite americana - interiores
de 22/9/2004 à 30/10/2005.
O TEMPO APREENDIDO. Como um diretor de cinema, Vicente de Mello cria realidades artificias. Esta série de fotografias, que ele chama Noite Americana, é um franca homenagem ao vocabulário cinematográfico dos anos 50. Os interiores aqui representados funcionam como como fotogramas recortados, isto é, recortes de filmes que formam uma enciclopédia visual onde a linguagem imagética se desdobra como anotações de um diário. Nesse caso, porém, o diário é aberto à leitura pública, corrompendo assim o seu caráter intimista.

Nestes particulares ambientes fechados, o elemento luz é onipresente, com seu jogo de sombras e degrade em profundos negros e cinzas - uma alusão direta à dialética do filme noir. O naturalista alemão Alexander von Humboldt explica em seu livro O Cosmo, de 1862, que a presença da luz revela a essência da matéria e o olho, a intuição do mundo. Nas fotos do Vicente de Mello esta luz - divina luz! - se insinua, à força por frestas, brechas, transparências, reflexões e superfícies; nossos olhos, lentamente, desvendam os objetos que ali habitam.

Em O Olho Cósmico, observa-se a imagem de um estouro de luz em longa exposição; um simples elemento de paisagem urbana, o poste elétrico, ganha nova vida e se transforma num palito de fósforo aceso. Híbrida em sua analogia, esta fotografia, tirada de dentro de um apartamento, anula a noção do que é interior e exterior. A "brincadeira" se repete em Itamaraty Nacional, onde a arquitetura de Niemeyer ganha uma visão peculiar através de dupla reflexão do vidro que separa os ambientes.

O percurso de Vicente de Mello remonta não só à retórica do cinema noir, mas também à tradição da fotografia pictorialista do começo do século XX; onde a técnica fotográfica tinha como principal objetivo aproximar a fotografia do universo da pintura na arte. À maneira pictorialistas, cada foto nesta mostra é acompanhada de um título: essa intervencão ortográfica tem o intuito de desvendar o mistério da imagem.

Nessia Leonzini - Rio de Janeiro, Agosto de 2004