O Conceito

Novidades

Biografias e Obras

O Escritório


5 + 5
akira umeda - yurei
alzira fragoso - encarnado
ana kesselring - corps du monde (corpos do mundo)
ana michaelis - ilusão
ana nitzan - ...foi num dia, no jardim
ana nitzan - sublimação
ana paula lobo -"e se houvesse ainda e sempre e somente palavras"
antonio sobral - arrebentação
antonio sobral - força latente
antonio sobral - perestroika
carlos emilio - cintilações
catherine ferraz - catherine, la tête dans les nuages
cecilia dequech - solitude
cristiane mohallem - canção da estrada
cristiane mohallem - céus são céus
cristiane mohallem - entre mãos: pinturas
daniella liu herzog - transpaisagens
dconcept hospeda Aluga-se
dione veiga - solutilis
edu rodrigues - geografia
edu rodrigues - válvulas
estrela do pari futebol clube
felipe o. mello - majesty
felipe oliveira mello - herdeiros
flavia vivacqua - flavia vivacqua
gabriel nehemy - azul, cinza, rosa
juliana garcia - avulsos em série
katia fiera - e quem quiser que conte outra...
katia fiera - katia fiera
kika nicolela - exquisite corpse video project
lucas lenci - aifonepics
luiz sôlha - cineramas
marcos vilas boas - cenários
marcos vilas boas - horizontes retos
marcos vilas boas - meio-dia
marcos vilas boas - na altura dos olhos
marina ayra - bruma espuma ao amanhecer-
marlene stamm - da aurora ao crepúsculo
marlene stamm - silêncio
Mosaico
néle azevedo - o que pode um corpo?
nicole mouracade-nin - cadernos de zizi
no limite da linha - coletiva de desenho
patricia bigarelli - silêncio
renata cruz - classificação das espécies
rosângela dorazio - pelas paredes
rosilene fontes - uma historia da infância
teresa berlinck - biblioteca ilustrada, sábado e domingo
vera martins - por um fio...ETERNIZADO
vicente de mello - noite americana - interiores
victor lema riqué - el bosque II
yara dewachter-quase verdades
yolima reyes - sorbitos
akira umeda - yurei
de 6/9/2008 à 4/10/2008.
sobre a série "Yurei

O artista plástico Akira Umeda, participou pela primeira vez do 32º Salão de Arte de Ribeirão Preto, em 2007. Esta ainda é uma das vantagens dos salões, a de dar a chance para um artista do interior de São Pauo, mais precisamente de São José dos Campos, de mostrar sua obra. E foi também a minha oportunidade de conhecer algumas imagens digitais de raríssima beleza de sua autoria, pois atuava como juri de seleção do evento.

Em tempos da propalada "era das novas tecnologias digitais nas artes", é uma surpresa se deparar com uma linguagem gráfica tracidional atualizada com os novos meios disponíveis para a criação artística. Akira Umeda, soube tirar proveito desta nova técnica com as possibilidades infinitas de reprodução, as qualidades gráficas precisas da impressão digital e o que mais se faz notar na sua obra, além da delicadeza dos traços do seu desenho, é a textura aveludada da tinta e da impressão.

Diferentemente da maioria dos trabalhos que alardeam uma nova era tecnológica para a criação artística e ficam presos nos efeitos especiais técnicos de interatividade ou não, sem uma poética própria, as gravuras de Umeda são de uma poesia e beleza impressionantes, impossíveis de não serem identificadas com a simplicidade de um haicai. Suas imagens da série Yurei, são um poema de louvor à natureza. Os gestos e cores são económicos como em uma rima da diminuição, onde não há espaço para a razão técnica, apenas a poesia "visual" que lida com os nossos sentidos básicos em
sua forma essencial. As imagens parecem nascer espontaneamente na tela do seu computador e depois impressas em um folha de papel qualquer.

São as mais belas "pinturas" do mundo à nossa volta registradas pelo artista com delicadeza, dando à realidade um plano exclusivamente subjetivo. Não pretende "pintar" a natureza em sua aparência e sim em sua essência. Na imaterialidade atmosférica de um dia cinzento, de um dia chuvoso e anuviado que para uns representaria o sentido da melancolia. Da instropecção interior, ou nas próprias palavras do artista, são anotações visuais, uma espécie de diário. Neste sentido, elas têm como motivação e assunto, os fatos do seu cotidiano, as ocorrências, os estados de espírito.

As cores nas gravuras da séire Yurei, não são apenas o cinza, o vermelho, o esverdeado, são também o claro, o denso, o opaco, o tênue, o molhado e o úmido. São as cores de dentro, das visões do interior que expressam o nosso estado de espírito ao contemplarmos o mundo.

Com os seus "fantasmas" a se esquivarem pela tela do seu computador, o artista parece alcançar o sentido oculto de uma realidade. Os pixels tentam realçar a essência etérea das coisas, daquele mundo silencioso onde só se ouve o ruído da chuva que cai relaxadamente sobre um guarda chuva e um tecido esvoaçante a passar diante dos nossos olhos. São pequenas coisas, gestos simples e imperceptíveis nos acordes do Universo.

ricardo resende
crítico de arte
doutorando pela ECAUSP