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katia fiera - katia fiera
de 15/2/2005 à 2/4/2005.
Certa instabilidade e desequilíbrio brotam das construções inventadas por Kátia Fieira. Seus desenhos, munidos de paciência e de um domínio técnico que se aproveita dos imprevistos, engendram uma arquitetura imaginária. Tudo se passa como se casas empilhadas, prédios e torres desajeitadas arriscassem, por alguns instantes, tímidos passos de dança. Há um aspecto lúdico em sua obra que os grafismos sobre armações de pipa escancaram. O universo infantil – castelos frágeis com espessas muralhas de pedra e placas onde se lê "Rua dos Bobos nº. 0" – lhe serve de matéria prima.
No conjunto da exposição sobressaem alguns elementos recorrentes. Antena de tv, arca, escada, fios elétricos, diamantes valiosos, cercas que não delimitam áreas precisas e alçapões, estão entre os símbolos que compõem o vocabulário básico de sua obra. É como se esse alfabeto visual esboçasse uma história que os próprios desenhos se recusam a concluir. Nessa espécie de narrativa há um mistério à espera de alguém que se proponha a decifrá-lo. Ela é banhada por uma atmosfera onírica em que prevalece a desproporção e a falta de escala, evidenciada nas minúsculas ou enormes janelas de construções inacabadas e em ruínas.
Um varal de roupas, também presente no interior dos desenhos, esticado no espaço da galeria, abriga camadas de papeis transparentes sobrepostos que formam um nevoeiro ao redor dos traços. A profundidade do espaço se forma nesses desenhos como lembranças remotas que vão se apagando quanto mais distantes do primeiro plano.
O modo como os trabalhos na parede ocupam o espaço é extremamente espontâneo, como se crescessem indefinidamente para fora do suporte. Fica explícito a maneira como se insinuam para além do anteparo branco, ou melhor, como eles apenas se deixam contemplar nos lugares onde o suporte da tela, do papel ou da madeira se coloca.

Cauê Alves