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marcos vilas boas - horizontes retos
de 31/8/2005 à 15/10/2005.
Ensaio fotográfico sobre a cegueira

No breu absoluto ou diante de luminosidade febril é onde Marcos Vilas Boas prefere fotografar. Para dar a ver o que o olho não enxerga. Com a câmera fixa diante do mar, o obturador aberto durante longos períodos, o artista registra o movimento da água e do céu, eventualmente de um navio que passa em alto-mar, e condensa o tempo em uma única imagem.
Apesar de estática, esta imagem contém todas as mudanças que se processaram ao longo do tempo de exposição: uma fotografia feita da sobreposição de camadas, à maneira da pintura.
Em lugar do "snapshot", que tão bem define a experiência visual contemporânea, uma fotografia que se dá no tempo, vagarosa. Em lugar do horizonte urbano acidentado, do nosso cotidiano estilhaçado, o horizonte reto da paisagem marinha. São fotografias reflexivas que quase instauram em quem as observa a quietude e concentração do próprio Marcos
no momento em que as construiu, com a escuridão ou o brilho a cegarem o "olhar informado". Esta fotografia instintiva também se vê com a intuição.

Além do instinto, Marcos contou -na criação das obras da série "Horizonte reto"- com um olhar calibrado para grãos de prata, depurado ao longo de anos trabalhando com fotografia. O artista vem fazendo experiências desde 1997 com os horizontes noturnos, a ponto de saber quando existe ou não ali um bafo de luz, uma mínima intensidade que a película será capaz de captar. Já os horizontes pálidos, à beira da desaparição, são uma novidade, que torna mais complexa sua
pesquisa acerca deste "tempo exposto", agora situado entre uma "luz negra" e "trevas brancas".


Juliana Monachesi