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gabriel nehemy - azul, cinza, rosa
de 17/2/2016 à 19/3/2016.
Gerações

“O público geral segue desconcertado com o abstrato. ‘O que é isso?’ é a pergunta à qual devem responder com frequência os professores e os guias de museu”1, escreve o teórico alemão radicado nos EUA Rudolf Arnheim (1904-2007), no ano de 1989. O incômodo questionamento do prestigiado pensador da arte pode ser estendido hoje, em 2016, frente à Azul, Cinza, Rosa, primeira individual do paulista Gabriel Nehemy na cidade onde mora.
Para a exposição no dconcept, o artista continua a persistir em um caminho afastado da figuração, mas é interessante como esses dois polos friccionam dados interessantes pelas salas da galeria paulistana, sediada em uma antiga vila projetada por Flávio de Carvalho (1899-1973). Nehemy tem obtido resultados interessantes nessa contínua levada, mas cada vez mais amadurece no sentido de ir em busca de uma poética mais fluida, por linguagens e plataformas variadas, não só com a pintura, mas com o desenho, a fotografia e a assemblage, por exemplo.
Azul, Cinza, Rosa ganha esse título por conta da apresentação, sucinta, de três séries pictóricas em que cada uma das cores é carro-chefe de um conjunto. Entre as três formações, há algumas desconstruções, em especial quando outro meio é utilizado, como o fotográfico e o gráfico. São como pequenas explosões, diminutas sabotagens, que servem não como uma avalanche a soterrar efeitos lineares, mas mais como pedras lançadas numa superfície d’água, impactando-a e talvez até turvando-a, porém sem deixar de conferir a ela todos os atributos líquidos e fundamentais que tal corpo pode ostentar.
Nehemy parece mais hábil em explicitar mais decisivamente o que quer lidar de “assuntos pictóricos”. Não que o acidental não se manifeste, mas os campos de cor mais evidentes da série azul, os corrimentos em cinza e a verticalidade mais forte no recorte rosa fortalecem o discurso plástico-conceitual do artista. Ele então fica mais distante do azul corroído utilizado na construção de trabalhos anteriores, que algo se relacionava ao esgarçamento do tempo e a uma inexorável entropia pela qual materiais, formas, volumes e cromatismos mergulhavam, num caminho sem volta.
Ao mesmo tempo, por conta da textura do papel algodão que salta aos olhos na fotografia, o artista capta o vestígio e o indício tão importantes no meio, mas não se furta a trazer elementos pictóricos muito claros já numa primeira visada. Cruzando, assim, duas abordagens visuais e de suporte, isso tudo chega a uma configuração ainda mais complexa com os desenhos, em que linhas, traços e círculos realizados pelo grafite sobre o branco ganham, por exemplo, o advento do dourado e outros procedimentos que relacionam o gráfico ao tridimensional, sem esquecer o arcabouço pictórico em que tudo isso fora gestado. Gabriel Nehemy, portanto, consegue em Azul, Cinza, Rosa elevar sua produção a um patamar de contemporaneidade que transita pelo instável, pelo inquieto e pelo inconforme, qualidades hoje tão necessárias para que uma obra se realize – não sem salutares embates e conflitos.

Mario Gioia, fevereiro de 2016