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marcos vilas boas - meio-dia
de 5/8/2015 à 4/9/2015.
MARCOS VILAS BOAS - MEIO DIA

É meio dia, debaixo do sol. Tamanha claridade muda o estado das coisas. Fecham-se os olhos para conter a luz que chega a cegar. Aos poucos, ela atravessa as pálpebras que, agora translúcidas, ganham tom quente. Permanece-se assim e, aos poucos, relaxa-se a face, a testa não mais se contrai. É uma forma de acalmar o excesso do sol. Abrem-se os olhos, o mundo
torna-se plácido e a luminosidade se equilibra aos poucos, até o visível mostrar contornos.

Surge uma opacidade, uma maresia. A cor de um certo desgaste se sobressai e um leve amarelado sugere, como textura de intempéries, um papel antigo, guardado. É o meio dia das fotografias sob uma luz que teria a face do presente, mas por ser fotografia, em sua natureza, o tempo aparece e acende em nós um sentido de introspecção. Ali se conectam o aqui e o agora:
estamos em uma sala, de frente para as fotografias. Chegam lembranças da infância, talvez: na praia fecham-se os olhos e surgem ideias que nos fazem intempestivos.

Se a luz é matéria essencial para a fotografia, é também para as ideias. É a luz que nos leva ao outro. Ideias pulsam até romperem uma escuridão qualquer entre nós e o mundo. E é com a luz que o fotógrafo escava os sentidos de suas experiências. Nos matizes do que se pensa como erro técnico, na lucidez daquilo que é subversão, o fotógrafo rompe com o senso
comum da fotografia....quanta luz! O excesso na série Meio dia faz fechar os olhos procurando um ambiente interno, lúcido, aquecido. Esse é o lugar no qual surgem pensamentos.

Em frente às fotografias desta sala, sente-se o embate com o sol, as pálpebras translúcidas... É meio dia, o sol a pino e a luz que quase faz evaporar a cena, essa que hesita em se fixar. A luz refletida do mar é o filtro que deixa a paisagem turva, espessa. A cena treme, aquecida, como em um delírio. Sente-se também o
embate com a linguagem da fotografia que, tensa, tenta conter a volúpia do meio dia em uma longa exposição.

Pio Figueiroa